Estradas

É facto de há muito conhecido que a estrada romana passava por terras que vieram a formar a freguesia de Sangalhos. Actualmente pensa-se mesmo que essa estrada passava na própria vila de Sangalhos e que ali existiria uma mansio, isto é, um local onde o imperador e os altos funcionários podiam pernoitar. Uma vez que o intervalo médio entre mansiones era de cerca de 45 km, existiriam apenas mais duas no trajecto da estrada entre Conímbriga e Brácara Augusta.

Na época da fundação de Portugal, o trânsito norte sul continuaria a passar por Sangalhos. De facto, sabe-se que a estrada mourisca (assim chamada porque se dirigia ao território dominado pelos mouros), passava entre Mogofores e Ancas em 1143. Se, na época romana, se situava em Sangalhos uma mansio da estrada Olissipo-Brácara, natural é que o paço de pernoita do rei de Portugal se situasse também em Sangalhos. Uma pequena evidência disso é o facto de Sangalhos se ter mantido como terra reguenga até ao século XIII, pelo menos. Outra evidência está no próprio nome de um dos bairros de Sangalhos, precisamente conhecido como Sangalhos do Paço.

Na transição do século XII para o século XIII, o traçado da antiga estrada mourisca foi rectificado e o próprio nome caiu em desuso, passando a importante estrada a ser conhecida como estrada coimbrã (porque se dirigia a Coimbra), caminho real ou estrada real. No seu novo traçado, passava em Aguada de Baixo, São João da Azenha e Avelãs de Baixo (que assim passou a chamar-se Avelãs do Caminho). Em 1220, o paço real já se situava em Avelãs de Baixo, sinal de que o traçado da estrada ou caminho real tinha sido alterado. Um documento de 1226 já chama estrada velha à antiga estrada mourisca e, por outro lado, refere a passagem de uma estrada coimbrã entre Mogofores e Arcos.

A freguesia de Sangalhos era ainda atravessada por uma estrada que ligava Aveiro à Beira e a Castela. Passava nos lugares de Sá, Casal da Rua (que dessa estrada tirava o nome) e Avelãs do Caminho.